Express yourself!
Quinta-feira, 10 de Novembro de 2011
Quinta-feira, 14 de Julho de 2011
«Amo-te»
Oiço sair da boca. Mais uma vez. Di-lo novamente!
Nada. Abres a boca e nada sai. Nada sem ser um enorme vazio que me abraça o coração. Um vazio que me queima as entranhas e me arde na garganta.
Abres a boca. Fixas o olhar no meu e começas a falar. Preferia que tivesses calado. Agora não é o vazio que me queima, são as palavras que me quebram bocadinho a bocadinho.
Mas não me mexo. Fico quieta. Oiço e quebras mais um bocadinho de mim.
Silencio. Fechaste a boca. Penso que é agora que tudo acaba. Vais dizer que me amas. Mais uma vez. Di-lo. Mas não. Nem a boca abres. Talvez seja melhor assim. Mas aqui fico na esperança que um dia abras a boca de voltes a dizê-lo. «amo-te»
Mas o silencio queima, arde e quebra quebra quebra…
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Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2011
Tentativa de poema

Esse cheiro que vem
Adocicado talvez.
De quem é?
Esse ar que traz,
Ar de jovem decerto
Que velho esse cheiro não traz.
De quem é?
Esse ar altivo, voraz,
Nariz empinado, cabeça erguida.
Quem é?
Que ninguém vejo mas cheiro.
Trá-lo tu? Ou és tu quem o traz?
Oh ar
Diz me que cheiro é esse que trazes,
De onde vem, de quem é?
É homem? É mulher?
O cheiro parou.
O ar não o mais traz.
Mas porquê?
Terei corrido para lá dele?
Voltarei para trás!
Mas o ar não o tráz mais.
Acabou.
E com ele esse fascínio terminou.
Voou nos braços do ar que o trouxe.
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Terça-feira, 28 de Setembro de 2010
Can I go now?

Já falámos tudo o que tínhamos a falar. Não temos mais nada a falar. A culpa não é tua, mas também não é minha. Talvez seja nossa, mas quem vai assumi-la? Não. Já falámos tudo. Disseste tudo o que tinhas a dizer, culpaste quem tinhas a culpar, gritaste o que tinhas a gritar. Ainda bem que estás contente com o que fizeste. Eu não. Não estou contente com o que fiz. E, principalmente, não estou contente com o que disseste. Estamos assim tão mal um para o outro? Que aconteceu aos lindos momentos que passámos juntos? Já não te lembras?
Qual é a lógica? Para que queres chegar a um compromisso se és juiz e júri do caso? Para quê tentar resolver as coisas se algum tempo depois acontece algo que não gostas e voltamos ao mesmo? Não te consigo mostrar que nem sempre o que faço é errado…
Não. Não há nada a fazer. Não há nada a dizer. Talvez não sejamos tão perfeitos assim.
Eu também não iria querer ficar onde não sou bem-vinda.
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Segunda-feira, 16 de Agosto de 2010

Crescem e evoluiem.
Amam, detestam e voltam a amar.
Nós ficamos no mesmo sitio. No mesmo bar. A ver o tempo passar.
~ Tic Tac Tic Tac ~
...E quero gritar: Reage! Diz qualquer coisa! Mas eu mesmo não reajo. E, com todas as certezas, não digo nada.
E o tempo continua a passar.. e as pessoas a mudar..
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Quarta-feira, 14 de Julho de 2010
Inimigo: Homem
Há muito que não escrevo.
Acho que precisava de um empurrãozinho, de algo que me indicasse o que escrever. Claro que também precisava de tempo para me dedicar, coisa que não tive nos últimos dias (melhor dizendo, meses).
Este não se trata de uma história de amor, uma reflexão nem mesmo uma história triste. Acho que é uma espécie de aviso.
Os que foram fazer hoje o exame nacional de português (até parece que tenho um saco cheio de fãs!) de certo iram conhecer o tema.
Foi nos pedido que falássemos das consequências da acção do homem no planeta Terra, e foi nos dada uma citação que está abaixo. Bem espero que gostem. E, claro, espero ter uma boa nota :D
«Na verdade, não são os avanços científicos e industriais que ameaçam o Homem e a Natureza, mas sim a maneira errada e inconsciente como a Humanidade aplica as suas conquistas tecnológicas.»
Jacques-Yves Cousteau, «Segredos do Mar, o Mundo Fascinante dos Oceanos e das Ilhas»,
Selecções Reader’s Digest, Julho de 1978
Hoje em dia, ao ligar a televisão, encontramos relatos de guerra, poluição, ameaças ao Homem, ameaças a eco-sistemas, entre outros (isto se ignorarmos os trinta minutos “indispensáveis” dedicados ao futebol). Fazem-se relatos extensivos sobre a poluição terrestre, as consequências que isso traz ao planeta, mas ninguém se questiona o essencial: de quem é a culpa? Ou se calhar questionam-se, mas têm vergonha de responder. Pois eu respondo: nossa.
É o Homem que polui. É o Homem que destrói. É o Homem que provoca guerras. Tal como Jacques-Yves Cousteau diz «não são os avanços científicos e industriais que ameaçam o Homem e a Natureza, mas sim a maneira errada e inconsciente como a Humanidade aplica as suas conquistas tecnológicas.»
Tenha-se em consideração um carro. É um meio indispensável, sem dúvida. Qualquer pessoa tem de ter um, dentro dos limites permitidos pela lei, logicamente. Agora pensemos na quantidade de pessoas que, dentro do limite da lei, podem ter direito a um carro. Isso: “milhares de milhões”. Ora para ter um carro é preciso construi-lo. Para isso é preciso uma fábrica; para construir uma fábrica é necessário espaço, e para ter espaço é preciso abater hectares de árvores indispensáveis à vida animal. Onde quero chegar? À maneira «errada e inconsciente» de que fala Jacques-Yves Cousteau. E não falarei da gasolina, porque essa é outra bola de neve, pronta a virar avalanche.
É necessário ter em conta os passos mais pequenos para que um bem essencial nas nossas vidas modernas tem para com o planeta em que vivemos. Pequenos passos fazem a diferença. Assim como os grandes o fazem. Para pior. E planeta só temos um.
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Segunda-feira, 8 de Março de 2010
Não me apetece, já disse.
Porque haveria de querer fingir o que sinto. Porque haveria de querer fazer coisas que não gosto. Não hoje não quero. Não insistam.
Hoje quero pular, dançar, sorrir, fazer as coisas que mais gosto. Não quero estar mais presa neste mundo que odeio. Nestas paredes de betão. Neste cubículo a que chamamos vida, onde temos de fingir que somos felizes. Onde compramos as emoções embaladas. Protocolos, burocracias.
Não hoje não. Peço-vos. Deixem-me. Hoje vou viver. Pela primeira vez (e talvez pela última) vou realmente viver.
«We gotta tell them we love them while we got the chance to say (...) Gotta live like we're dying»
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Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2010
Can you see the light?
E a marca que nos deixam é tão vincada, tão profunda, que nos perguntamos o porquê, a razão de terem acontecido. Terá sido obra de um poder supremo? De um ser superior? De Deus? Terá sido a mão do destino que nos tocou?
No momento em que as temos não pensamos em mais nada. Estamos ali. Temos de lutar. Lutar para poder vir à tona e respirar mais uma vez. Lutar para darmos mais um pontapé ao que nos esgana. Lutar para mostrar à mão do destino, ao ser superior, que não… somos nós que comandamos a nossa vida. Somos nós que decidimos. E quando já lutámos tudo, quando estamos prestes a agarrar a mã
A certa altura ficamos cansados de tanto lutar. De tanto lutar contra a maré. Ficamos demasiado exaustos para gritar, para esticar o braço e alcançar a mão que tanto nos chama. Desistimos e deixamo-nos ir. Ficamos ali. À espera da próxima onda. Que nos leve. Estamos cansados. Não queremos mais.
Quando voltamos a nós estamos a salvo. A mão que tanto nos chamava, a mão que tanto lutava para nos agarrar salvou-nos. Conseguiu. Não se cansou. Lutou para respirarmos mais uma vez. Lutou para darmos mais um pontapé ao que nos esgana. Lutou para vermos o sol brilhar mais uma vez.
Estes momentos ficam. Tocam quando menos esperamos. São companheiros de vida.
A nossa hora não era aquela. Não. Ainda vamos ter muito que lutar. Muito a que sobreviver. Muitas mãos a agarrar. Muito sol para ver brilhar.
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Photografy: Why?
A verdade é que a fotografia me faz sentir muito mais que feliz. Tirar uma fotografia, o simples carregar num botão, e 'click' sinto-me inteira, completa. Sinto-me relaxada quando passo bons momentos a tirar fotografias a paisagens, a captar as maravilhas da natureza através de uma pequena lente. Sinto-me eufórica quando chega o momento de finalmente ver o resultado do meu trabalho. Sinto-me frustrada quando a teimosa da lente não captura a imagem que eu tanto vejo na minha ment
Gosto de fotografia por isto. Porque depois de alguma luta, consigo ficar assim. Pela montanha de sentimentos que sinto com o simples carregar num botão. O simples carregar num pequenino e insignificante botão apanha tudo aquilo que quero, tudo aquilo que sinto, tudo aquilo que vejo, tudo aquilo que desejo, idealizo e sonho.
As pessoas perguntam porquê. A resposta é simples: porque sim!
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Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009
Quinta-feira, 26 de Novembro de 2009
Como poderia ter sido tão cega e não ter visto logo no inicio?
Como poderia eu ter sido tão cega para não te ter visto logo no inicio?
Estiveste sempre lá comigo. Como não te vi?
Quando te chamava, respondias. Como não te ouvi?
It took so long to realise just what happened
Foi tempo muito
Porque quando finalmente te vi
Quando finalmente te ouvi
Tu comigo já não estavas
Tu já não respondias.
It took so long to realise just what happened
And know you’re gone
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Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
Forever and after.. What about now?
Existe?
Desde pequenos que o ouvimos.
Era uma vez, a princesa e o príncipe.
Desde pequenos que queremos aquele ideal. E viver feliz para sempre. Será que isto é possível?
Já vi acontecer. Já vi não acontecer.
Já o mundo dos sonhos, das fadas e dos póneis ser destruído a minha frente. E talvez por isso não acredite que haja um príncipe para mim. Ou talvez haja, mas ironia das ironias, é príncipe de outra e fá-la muito feliz.
Que a faça. Que seja feliz. Para sempre. Que eu prefiro manter-me no feliz agora. O para sempre? Não sei. Logo se vê.
Forever and after.. What about now?
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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
Quarta-feira, 14 de Outubro de 2009
Domingo, 11 de Outubro de 2009
Carta aberta
Venho por este meio falar-lhe da discriminação sexual que, apesar da persistente tentativa de se tratar, com “paninhos quentes”, ainda existe. Os preconceitos existem. Sempre que encontramos algo diferente, algo estranho, algo que não seja «normal» o preconceito está sempre presente.
Acha que não? Então o que aconteceria se a sua filha ou o seu filho lhe dissesse que ia manter uma relação íntima ou mesmo casar com outra do mesmo sexo? De certo que esta notícia seria mal recebia da sua parte. Não?
Seria a sua atitude e a de muitos pais ao receber tais notícias. A atitude parental é obscurecida com ideias que a sociedade tem, maioritariamente mal constituídas, sobre o assunto. Compreendem, ou dizem que compreendem, mas se pudessem, mudavam as escolhas sexuais do filho/filha.
Para mim, mera aluna de faculdade, é inaceitável que se continue a não reconhecer o casamento entre pessoas do mesmo sexo, ainda para mais quando a união de facto e a economia comum estão legais desde 2001.
De certa forma, com esta opção, estamos dizer que sim, são normais, mas que existem uns mais normais que outros.
É fundamental que o acesso ao casamento seja igual para todos os casais portugueses, e não só para alguns, sejam quais forem as suas escolhas sexuais!
Tenho a prefeita consciência que o tema em questão divide os diversos partidos em dois grupos. Mas fique o Excelentíssimo Senhor Presidente também a saber que não são apenas os partidos que se repartem. Toda a comunidade portuguesa se divide perante esta questão: uns que aceitam plenamente as diferentes escolhas sexuais; outros que aceitam mas que criticam ou ridicularizam quando os vêem passar na rua; e outros que negam completamente a sua opção de escolha, dizendo que estes são aberrações da natureza.
Senhor Presidente, ainda existem muitas pessoas, digamos que conservadoras, no nosso tempo! A homossexualidade foi encarada, em tempos, como o mais mortal dos pecados. Já foi também tratada como crime e até mesmo punível com pena de morte.
É certo que para mudar tudo isto era necessária uma imensa mudança nas mentalidades. Não só a dos portugueses, mas também a de todos os cidadãos do mundo. O que é aqui importante é a igualdade de oportunidades: porque podem uns ter acesso ao casamento e outros não?
Segundo o artigo 13 da Constituição Portuguesa, a discriminação com base na orientação sexual é explicitamente proibida. Pergunto-me: não serão os homossexuais discriminados exactamente naquilo que os caracteriza? Nos seus valores? Nas suas escolhas?
O livre acesso ao casamento entre iguais, tornar-se-ia uma forma de dignificar as escolhas, relações e as orientações sexuais destes.
Para além do casamento, também existe a questão da adopção de crianças, Senhor Presidente. Que são os casais heterossexuais mais que os casais homossexuais? Porque pode um indivíduo solteiro, ainda que homossexual adoptar (porque a orientação sexual não é questionada aquando cidadãos solteiros), mas um casal não? Pergunto-lhe: é mais saudável, psicologicamente, para a criança se se tratar apenas de um pai, mesmo que heterossexual?
Para muitas pessoas, a adopção não deverá ser uma opção para os casais homossexuais. Pergunto-me porquê, Senhor Presidente.
Muitas destas pessoas estão convictas que o desenvolvimento físico e psicológico das crianças poderá estar comprometido se esta tiver pais homossexuais. A razão desta convicção está relacionada com a ideia de que para se recriar uma família, depois do acto de adopção, seria necessário uma figura masculina e uma outra feminina. Duas figuras masculinas ou femininas não conseguem prestar o mesmo carinho e amor para com o seu filho/filha que um casal heterossexual? Pergunto de novo: porquê?
Independentemente das escolhas sexuais, a capacidade de amar está sempre presente. É uma das maiores características do ser humano.
Infelizmente, não de todos os seres humanos. Se assim fosse, muito provavelmente, não estaria a receber a esta minha carta, Senhor Presidente.
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Quinta-feira, 10 de Setembro de 2009
'Pain is there for a reason'

«Sim, a sério?»
Mas porque dói?
Porque não pode simplesmente desaparecer e nunca mais aparecer? Porque não podemos fazer aquilo que nos bem apetece quando nos apetece sem ter nada a combater contra?
Porque existe a dor?
Porque não podemos ser imunes a ela. Seria mais fácil. Mais simples.
Não. Não é engraçado sentir dor. Não sabe bem, mas se não a sentíssemos como saberíamos que não podíamos saltar de um arranha-céus? Como saberíamos que nos queimamos, que nos cortamos? Quando não a sentimos somos iludidos, levados para uma sensação de pura segurança. Somos puxados para uma realidade abstracta. A dor lembra-nos que não somos invencíveis.
A dor é uma coisa natural, básica, elementar da vida animal. O que nos leva à verdade. Ela está lá presente por uma razão. Ela existe para nos mostrar quando algo está errado. Para nos alertar, para nos proteger, para nos ensinar.
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Segunda-feira, 27 de Julho de 2009
- Hum? Sim já vou.
A este corte de olhar, Óscar resolveu levantar-se e saiu. Sem olhar para trás. Não fosse Clara estar a olhar para ele.
Correu os corredores da faculdade com estes pensamentos a encherem-lhe a mente. Pela primeira vez perdera-se na faculdade que conhecia como a palma da sua mão. Pela primeira vez chegou atrasado à aula.
- Desculpe o atraso, professor.
- Tudo bem Óscar, vai te sentar depressa e que não se repita.
Óscar foi se sentar na mesma mesa, na mesma cadeira. No canto da sala, à janela. Onde podia olhar a natureza, ver as árvores. Esbeltas. Altas. Suavemente tocadas pelo vento, que abanando as folhas com se com elas dançasse, se vai embora.
- Hoje a Clara estava mesmo a olhar para ti, meu. E não parava! – interrompeu Pedro os seus devaneios – Quando é que vais falar com ela pah?
- Falar com ela? – disse-lhe confuso
- Sim... não me digas que não vais falar com ela?
- Porque haveria eu de falar com a Clara?
Pedro olhou para ele. Primeiro não percebeu o porquê do seu amigo nunca meter conversa com a rapariga que não fazia mais nada a não ser olhar para ele nos quarenta e cinco minutos que ambos tinham para almoçar. Mas depois começou realmente e olhar para ele. Reflectiu e compreendeu. Também Pedro não era bonito. Pelo menos fisicamente. Apesar de ser loiro e de olhos azuis era pequeno e a puxar para o gordinho.
- Não podes deixar que isso te pare, meu. Sei que não sou o melhor exemplo, sei que eu também não tenho miúdas a olhar para mim, mas tu tens! Durante toda a hora de almoço! Todas as quintas-feiras! Não achas que deverias de pôr esses preconceitos de lado e ires falar com ela?
Óscar percebeu que o seu amigo tinha razão. Não deveria deixar a sua aparência física meter-se no caminho da sua possível felicidade.
- Tens razão. Na próxima quinta-feira vou falar com ela. – e o pânico apoderou-se dele – Vou falar com ela sobre o que? Ela não faz o meu tipo. E eu não faço o seu tipo. Não, não. Vou lhe dizer o que? Olá eu sou o Óscar. Ela já sabe isso. E depois? Vou falar de que? De medicina? Achas? Que maluqueira! Não ela já anda a tirar o curso disso. Ouve isso todos os dias! Ai meus Deus! – e meteu as mãos na cabeça - Devo estar a dar em doido. Que faço eu? Ai!
Pedro deu-lhe uma chapada.
- Acalma-te se faz favor! – gritou-lhe.
Nessa altura o professor estava a passar perto, puxou uma cadeira e fez silêncio.
- Sr. Óscar e Sr. Pedro, talvez o vosso tema de conversa seja mais importante do que as células cerebrais. Querem expor o assunto à turma ou posso continuar a dar a minha aula?
- Desculpe professor – disseram ambos em coro.
- Óscar chegas-te atrasado, perturbas a aula… sabes muito bem o que acontece à terceira. – dito isto levantou-se – E nada mais digo. Continuando…
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Quarta-feira, 24 de Junho de 2009
Perdida?
As gerações dos nossos pais e anteriores eram diferentes. Sim, tinham de lutar pelo que queriam. Eram obrigados a pôr de lado coisas que ambicionavam, desejos que tinham, em virtude dos seus pais ou de outros desejos que eles próprios tinham.
Mas, como se diz na gíria, “há casos e casos”. Certamente que nas gerações anteriores, haviam jovens perdido. Talvez não estivessem tão expostos aos órgãos de comunicação social, e como tal prontificados para os denunciar.
Também sou jovem e quando me olho ao espelho não vejo nenhuma das características expostas pela autora do excerto. Não sou individualista, egoísta e muito menos materialista. Porquê? Porque fui educada para não ser tal coisa. Porque se os jovens fossem educados pelos pais a juventude não estaria, talvez, tão perdida.
A verdade é que os pais já não têm paciência para educar os filhos devidamente. As crianças já não sabem o significado da palavra não. Se choram no supermercado porque querem um chocolate, os pais dão, “porque cenas em sítios públicos é que não!”. E depois destes eventos vêm outros. Acaba por se tornar numa enorme bola de neve.
Quando estas crianças se tornam jovens e se lhes começa a ser dito que não fora do seio familiar, começam os problemas. E aqui, neste momento em que a bola de neve de começa a desmoronar, tornando-se numa avalanche, avançando a toda a velocidade pela montanha a baixo, começam a forma-se, na personalidade destes jovens, todas as características que foram expostas acima. Tornam-se centrados em si mesmo, lutando e fazendo qualquer coisa para conseguir o que querem, mesmo que para isso implique desmoronar e espezinhar outros. E querem sempre mais e mais e mais…
É necessário, antes de mais, que se imponham limites. Que se saiba dizer: “Não”. E estes limites têm de ser postos pelos pais das crianças, para que elas, quando tiverem os seus filhos, os possam educar para que não sejam jovens perdidos, mas para que sejam influenciados pelo colectivo, pelo emocional e pelo idealismo. Se assim não for, e se a juventude já é chamada de “juventude perdida”, não quero imaginar quando a juventude realmente se perder e a bola de neve, transformada em avalanche, chegar ao fim da montanha.
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Sexta-feira, 5 de Junho de 2009
Lá está ela.
De novo. A olhar para mim com aqueles olhos doces. Com aqueles olhos que quero ter próximos.
Olha-me mas não me vê. Olha-me como quem olha para uma peça de fruta. Algo insignificante, mas que se quer.
Olha-me do outro lado da cantina. E quero ir para junto dela. Para a olhar de perto. Para finalmente descobrir qual a cor dos olhos dela. Se verdes, se castanhos… olha-me e eu olho-a.
Óscar olha Clara do outro lado da cantina. O seu olhar atravessa todas as cadeiras, todas as mesas. E chega finalmente ao de Clara. Fita-a. E lá está ela. A fitar de volta. Sentada elegantemente na mesa das raparigas. Ela bela. Toda ela bela: pele clara, cabelo ruivo, olhos indefinidamente verdes, corpo esbelto, divinal. Ele estranho. Todo ele estranho. Nada nele se tomava como minimamente normal: olhos demasiado pequenos para a cara numa tonalidade nada especial, apenas um ordinário castanho escuro, nariz demasiado grande para a sua cabeça descomunal, orelhas pequenas que se confundiam com o seu cabelo encaracolado sempre descomposto. Mas mesmo assim ela olhava para ele todas as quintas-feiras ao almoço. Sempre que podia. Sempre que Hugo não lhe tapava a vista com o seu braço musculado, colocando-o no seu ombro como sinal de pertença. O único rapaz naquela mesa. Alto, musculado. Um achado para algumas. Para Clara era mais um…
Mas porque olha ela para mim?
Pensava Óscar cada vez que isto acontecia. Eram os quarenta e cinco minutos melhores e os quarenta cinco minutos piores da sua quinta-feira. A sua mente tanto estava calma como completamente complexa.
Porque olha para mim? Porque olha para mim?
Porque olha para mim? Ainda bem que olha para mim! – sussurrava a sua mente - Porque olha para mim?
Clara do outro lado da cantina. Tentava por mil razões fugir ao abraço tirânico de Hugo.
- Olha desculpa, quero ver a janela.
- Olha tira o braço que não sou bengaleira, ando a estudar medicina.
- A tua cadeira não te chega? Queres o meu ombro também?
Mas por mais desculpas que desse, passados dez minutos lá estava o braço de novo. Infinitamente e irrazoavelmente musculado. Com as veias a saltitarem de fúria, contraídas. Mas durante esses dez minutos Clara podia olhar para Óscar.
Era um alivio e um desespero quando a campainha tocava. Sempre que estes encontros aconteciam, o resultado era sempre o mesmo. Clara saia com as amigas a sacudir o rabo-de-cavalo de um lado para o outro, sem nunca virar o olhar de novo para Óscar.
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Quinta-feira, 28 de Maio de 2009
As palavras
Como usá-las.
Onde usá-las.
Se usá-las.
Pensar é fazer contas de cabeça. Contas complicadas, difíceis e traquinas. Contas mais difíceis que matemática. Pensar é fazer matemáticas mentais abstractas.
O meu cérebro é uma folha às quadrículas onde faço pequenas contas. Fácies, simples e doces. Porque quando penso simplifico. Não complico. E por isso a minha folha quadriculada está tão limpa. Ao contrario das outras pessoas tenho a mente limpa, vazia. E lá voltamos ao mesmo…
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Sábado, 9 de Maio de 2009
Tudo o que não sabemos
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Quarta-feira, 1 de Abril de 2009
Eu .
As eventuais avarias cerebrais durante a leitura deste texto não são da responsabilidade da autora.
(para ser lido depressa)
Tenho sede. Sede de viver. Sede de amar. Por mais que faça nunca é suficiente. Quero sempre mais. Insaciavelmente mais.
Quero estar contigo. Mas quero estar com outro. Quero correr, saltar, cantar. Tudo ao mesmo tempo.
Quero ser actriz. Quero ser cantora (quebra na ordem de pensamentos – ler devagar – apesar das minhas capacidades vocais não serem grande coisa). Quero ser tanta coisa, mas não sou nenhuma.
(ler como se fossem pensamentos)
Sou eu. Uma menina melga, chata, ambiciosa, mas sem coragem para fazer nada daquilo que quero. Sou alguém que se critica a si própria, mas que se resigna com as suas atitudes. Alguém que quer sempre mais, mas que nada faz para as ter. uma pessoa com uma mente tão aberta para certas coisas, mas fechada para outras. Alguém possessivamente irritante, mas amável. Não sei o que sou. Sou eu. Simplesmente eu. Com todos os meus defeitos. Com todos os meus pontos. Com todos os meus sinais. Sou eu. Quero sempre mais. E isso faz de mim o que sou.
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Sexta-feira, 27 de Março de 2009
E voltamos ao mesmo
Gritamos, fazemos as pazes.
Prometemos não gritar novamente, mas passados dois minutos voltamos ao mesmo.
Mas a única coisa na vida que não tem solução é a morte. Por isso acredito que vamos melhorar. E sei que também acreditas no mesmo. Por isso continuamos juntos.
Porque sei que me amas e que não me queres ver triste, continuo aqui. Mas cada vez que mais discutimos. Cada vez mais acho que não me amas.
Se calhar tens outra. Por isso discutimos.
Sabes que isto destrói-me? Fico com o coração partido quando grito contigo. Não o quero fazer. Mas sabes que me não me rebaixo. Que não dou o braço a torcer… sabes que sou teimosa e eu sei que és igual.
Hoje discutimos novamente. Hoje caí. Hoje destruíste-me de vez. Hoje sei que me amas. Ontem gritavas. Hoje choras.
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Domingo, 1 de Março de 2009
Mas cheia. Cheia de barulho, cheia de palavras, cheia de imagens que não fazem sentido. Palavras que não quero. Palavras que não me interessam. Palavras que nada dizem, nem sozinhas nem acompanhadas. Palavras horrivelmente bonitas, cadenciadas e ritmadas. Registadas, cravadas e guardadas na minha mente vazia. Nós mal feitos presos na minha memória. Na minha memória vazia.
Dão corda ao pensamento e alma à imaginação.
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Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009
Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008
Tic-Tac Tic-Tac Tic-Tac Tic-Tac (parte II)
Tempo… também o perdes? Também corres na esperança de nunca te atrasares? Corres na esperança de poderes chegar ao fim do dia, ao fim da semana, ao fim da tua jornada a dizer que não perdeste tempo. Que aproveitas-te todos os momentos que a vida te dá. Tempo. Aquele bem que tanto queres, mas que nunca tens.
Não tens tempo para estar com os teus amigos porque tens de estudar.
Não tens tempo para estar com a família porque tens de trabalhar.
Não tens tempo para viver, porque estás demasiado ocupado a tentar viver , porque estás demasiado ocupado a refilar porque não tens tempo. Não tens tempo para viver porque estás em frente a um visor a ler textos de alguém que também não tem tempo para viver porque está demasiado ocupada a escreve-los.
Tempo… também o perdes. Tempo para sorrir. Tempo para chorar. Tempo para brincar. Tempo para correr. Tempo para amar. Tempo para viver. Tempo para morrer. E aí, finalmente tens tempo.
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Domingo, 7 de Dezembro de 2008
Tic-Tac Tic-Tac Tic-Tac Tic-Tac
Odeio-o! E odeio-te também! Não tenho, não quero ter, nem nunca terei cara de ponteiros. Não tenho cara para usar este objecto infernal, diabólico, detestável e controlador. Pulseira estúpida que dá horas. Que me controla a vida. Que me deixa sem vida. Bracelete pressa ao meu
braço.Larga-me! Trela! Ando que nem cão controlado pelo dono. Vejam-me só! Uma vida a ser controlada por um objecto.
Tira-lhe a pilha! Manda-o ao chão! Deixa-o! Larga-o! Não o queiras! Não! Nunca! É por causa destes, destes demónios que anda todo o mundo com pressa. Pressa de viver, pressa de amar, pressa de morrer, pressa, pressa, pressa… Chega! Olho para ele e só me apetece… sei lá! Apetece-me dizer… apetece-me gritar…
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Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008
Fingimento

Era uma vez… começa a minha historia. Uma princesa… continua ela. Mas nenhum príncipe… para infelicidade minha. Mas quando finjo quando entro no mundo do faz de conta vejo que posso ser feliz. Vejo-te a ti. Abres-me os braços. Quando finjo sou feliz de verdade. Quando passo os portões da Terra do Nunca posso ter príncipe. Estar contigo por momentos. Mas quando os pós de fada acabam, volto a terra, ao mundo real. Ao sitio infernal ou tenho de ser, e viver, sem ti, meu príncipe.
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- Adeus, meu amor.
Beijamo-nos. Entro no comboio e digo-te adeus. Sento-me ao pé de uma rapariga que escrevia. Tento perceber o que lê, mas antes quero te ver uma última vez antes de ir. Mas quando olho lá para fora já não te vejo. Quando me volto estás a minha frente. Vieste me dar um último beijo. As portas apitam.
- Vai!
- Não. Depois apanho o comboio de volta. Não consigo estar longe de ti. Amo-te – e beijas-me ternamente.
Levanto-me do lugar onde estava, e mudo-me para o teu lado.
- Então fica. Também te amo.
O amor é realmente lindo. E quando se assiste a uma cena destas no comboio enquanto se espera que a inspiração aperte é simplesmente divinal.
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Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008
Desalinho
Mostra-me o teu lado solar.
Peço-te.
Neste dia tão coberto,
Dá-me um pouco
Do teu lado solar
Esse teu lado lindo
Sóbrio, magnifico
Contrario a tudo o que és.
Beleza rara é teu nome.
Bela és tu.
Rara apenas pelo nome
Pois de rara nada tens.
És como todas as outras,
Más
Mesquinhas,
Mas lindas de partir o coração
Agora sentado no comboio
Oiço músicas
Que me lembram de ti
Músicas variadas
Simples, magnificas.
Recordam-me
De como fomos felizes
Eu
Tu
E o teu lado solar.
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Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008
À beira Rio..

Raios de sol quentes entram pela janela do quarto acariciando a minha face gelada. Levanto-me e olho lá para fora. Estás sentado a beira-rio. Esfrego os olhos no intenso medo de tudo não passar de um sonho. Se for não quero acordar. Quero ir ter contigo. Despir-me de preconceitos. E Mergulhar. Mergulhar contigo nas profundas águas do rio.
Chamo por ti. Mas tu não reages. Ages como se não me ouvisses. Chamo. Chamo. Chamo. Finalmente levantaste. Viras-te e sorris para mim. Só para mim. Com esse sorriso perfeito que Deus que teu. Magnífico. O sorriso que tanto me apaixonou a primeira vez que te vi. Gritas por mim. Dizes que me amas e chamas-me para junto de ti. Aceno que sim. Que já vou.
Visto rapidamente o robe e saiu. Não quero que fugas. Não foges. Esperas por mim e recebes-me de braços abertos. Abraças-me e eu sinto-me mais segura que nunca. Sinto-me amada de uma maneira que nunca tinha sentido antes.
- Amo-te muito sabes? – dizes-me enquanto me beijas intensamente.
Não, não quero acordar. Quero ficar aqui contigo para sempre. Se isto for um sonho não me acordes. Se for realidade, então nunca vás.
- Também te amo muito, meu amor. – respondo eu.
Olhas-me. E eu olho-te também. Vejo-te a alma. Tens uma alma linda. Uma alma de apaixonado. Apaixonado por mim. E sorriu na esperança de que sorrias de volta. E assim o fazes.
Infelizmente o meu pior medo era real. Tudo isto não passa de um sonho. Um pesadelo. Um sonho mau como dizem os teus filhos quando à noite procuram abrigo na minha cama. De manhã, quando os encontras, refilas comigo. Ameaças-me com despedimento. Mas os teus filhos acordam felizes. E só por isso não o fazes. Porque por mais frio e mais cruel que sejas ama-los muito.
Uma ama. Uma criada. Não passo disso para ti.
- Por favor faça o seu trabalho. É só isso que lhe peço menina Simone.
- Sim senhor. Peço desculpa.
E sorris. Com o mesmo sorriso do meu sonho. Exactamente o mesmo sorriso. Magnífico. Lindíssimo.
Chamam-te lá em baixo. E tu vais. Saindo mais uma vez da minha vida. Fazendo exactamente aquilo que eu pedi-te para não fazeres. ‘Não fugas. Nunca.’ Mas ignoras o meu pedido. Como se de nada se trata-se.
Volto ao meu sonho. Volto ao lugar onde sei que te tenho só para mim. Mas desta vez não vou acordar. Nunca mais hei-de acordar. Hei-de dormir para todo o sempre. És meu. Só meu. Amo-te.
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Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008
Euphoria da minha maneira exkisita de escrever

Segundo o novo acordo ortográfico podemos escrever tanto com a grafia do ‘Brasiu’ como com a portuguesa. Fato curioso no mínimo não acham? Sim. Fato (é como se escreve no Brasil) mas o que foi que entenderam? ‘fato’ ou ‘facto’? O mesmo que eu… nada!
Mas o facto disto tudo é que não entendo a razão para tal acordo. A quem vai facilitar estas novas ‘mobilidades’? A mim? Não. A si? Acha? Não. Aos estrangeiros? Talvez…talvez ficará mais fácil para eles escrever português… mas a quem isto vai realmente favorecer é aos diplomatas. Sim… Isto vai realmente favorecer aqueles senhores que depois de acabada a reunião entre o governo português e o brasileiro têm de transcrever toda a acta, procurando as palavras que não se inserem no léxico do português europeu mudando-as para o mesmo… que maçada, não é (ou deverei dizer ‘né’)? Oram bem! Fazem eles muito bem então. E por isso escrevo recuso-me a escrever da maneira que vocês querem. Por isso escrevo da maneira que kiser, quando quiser e em grande euphoria por usar o bom português. Porque se eles têm esse direito, também eu.
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Domingo, 13 de Julho de 2008
Aniversário Celeste (thanks Dê)

- Mãe! Obrigada. Oh mãe… ai… não me apertes com tanta força…
- Vamos! Tens de te levantar. – E abre o estoures – ainda temos muita coisa para a fazer!
- Sim mãe.
Levantei-me. Vesti-me e fui ajudá-la com os preparativos da minha festa. A festa dos meus dezoito anos. Sei que devia de estar contente. Mas não estava. Quem estava contente e quem estava ansiosa era ela. A minha mãe.
Não estava contente por um motivo muito simples. Sofro de uma doença muito rara e por isso não vale a pena nomina-la. É a minha sentença de morte. E por isso não quero festejar os meus anos. Porque por mais anos que faça a minha vida anda sempre para trás. Mas faço-o porque ela fica contente. E já que não lhe posso dar a alegria de ela me ver crescer, caminhar ao altar de braço dado com o meu pai ou de lhe poder dar netos, dou-lhe a alegria de ela me poder dar a maior festa de dezoito anos que alguma vez se viu.
Recordo-me do meu dia de anos como se tivesse sido ontem. Era de noite e haviam muitas luzes. Luzes grandes, pequenas e de varias cores. As mesas estavam decoradas com as minhas toalhas preferidas. Já velhas, mas lindas. As pessoas vestidas como bem queriam e entendiam vinham me cumprimentar. Sorriam para mim. Davam-me dois beijinhos, um presente e as melhoras. ‘Que contes muitos. ‘ Mas por dentro sei que dizem ter pena de mim.
“- Coitada. Dezoito anos e já tem a sentença de morte.”
Não precisam de ter pena de mim. Vivi dezoito anos, até este dia. Dezoito anos felizes. Dezoito anos com muitas alegrias. E apesar da doença tentei aproveitar todo o minuto destes dezoito anos.
Lá vem o bolo. Todos cantam.
- Apaga as velas! Fecha os olhos e pede um desejo... Não o contes... É teu... Só teu, meu amor.
Olho para ela e ela olha para mim. Peço o meu desejo.
- Desejo que o sofrimento da minha mãe acabe. E que ela e o meu pai sejam felizes para sempre.
E o meu desejo realizou-se. Agora cá de cima vejo como ela é feliz. Vejo como acorda todos os dias com um sorriso nos lábios. Vejo como fica contente, cada vez que me olha numa fotografia, de eu já não mais sofrer com este meu destino. E por fim, sorri. Por ela, pelo meu pai, por todas as pessoas que tinham pena de mim e que sofriam cada vez que me viam. Mas sorri essencialmente por mim. Porque finalmente sou feliz.
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Quarta-feira, 25 de Junho de 2008
Se o mundo girasse em tua volta..
Só ouves aquilo que queres. Só falas com quem queres. Só simpatizas com quem queres. Só fazes aquilo que queres. Só estou farto de ti. Só estou cansado dos teus joguinhos. Criança! Tem de ser sempre como queres. Quando queres. E por isso só te tenho uma coisa a dizer: CRESCE E APARECE!
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O dia em que tudo começou

Lá fora tudo é belo. Mas cá dentro o belo não existe. O ar está pesado. Pesa e a culpa não é minha.
Chegaste a casa chateado, farto do teu trabalho. Cansado de aturar certas pessoas com as quais tens de passar o dia. Chegaste e eu recebi-te com o maior sorriso que eu te posso oferecer. Tu afastaste-me. Empurraste-me para o lado. “O jantar já está pronto?” Foi a única coisa que soubeste dizer. “Está cansado”, pensei eu. Servi-te o jantar. Sentei-me e jantámos. Não me dirigiste a palavra uma única vez. Por isso não sorri mais. Não porque te deixei de amar. Porque te amo. Muito.
Levantaste-te. Deste um encontrão na bancada e perguntaste-me porquê. Que culpa tenho eu? A bancada já aí está desde que compramos a casa. Juntos.
Puxaste-me pelo braço e mandaste-me para a cama. E foi aí. Foi aí que tudo aconteceu.
Agora olho lá para fora. Eu sentada na cama. Tu encostado à parede. Ambos a olhar lá para fora. Ambos petrificados, estupefactos com a tua atitude. Olhas para as tuas mãos. Elas tremem. Com medo de elas próprias. E ainda não acreditas no que fizeste.
Finalmente me pedes desculpa. “Desculpa…” Desculpa? Como queres que te desculpe de uma coisa que não tens culpa. Foste tu que o disseste. “A culpa é toda tua, Rute.” E então eu acreditei. A culpa era minha. Eu merecia. Porque sou má companheira. Porque não faço as coisas que me pedes. Porque eu sou como sou. Por isso não me defendi. Por isso fizeste o que fizeste. E por isso estamos ambos a olhar lá para fora enquanto as tuas mãos tremem.
A todas as mulheres que sofrem este terror todos os dias:
A culpa não é vossa. Não é só vossa. ‘A culpa nunca é de um só, é como uma linha que tem dois lados, e toca em ambos, sem excepção’
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Domingo, 15 de Junho de 2008
(…)
Até ao fim da obra Blimunda nunca olha Baltasar por dentro. Cumprindo a sua promessa. “Juro que nunca te olharei por dentro”. E assim o fez. Uma única vez quebrou sua promessa. Mas Baltasar não se chateou. Como se havia de chatear?
Depois de nove anos de busca intensiva em Portugal e arredores do seu homem, Blimunda passa, uma vez mais, por Lisboa.
E nada podia ela dizer nem fazer a não ser aceitar. Aceitar que seu homem estava a morrer à sua frente. E foi aí que se lembrou de que estava em jejum. Desviou a cara. Mas o que viu não foi as entranhas de um homem comum. O que viu foi uma nuvem fechada. A maior nuvem fechada que alguma fez tinha visto. O que viu foi a vontade de seu homem. E recebeu-a. Mas desta vez não a colocou num frasco. Não. Recebeu-a em seu peito. No seu corpo.
E assim enquanto que Blimunda viveu, Baltasar não morreu. A sua semente, a sua vontade vive dentro dela.
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Sexta-feira, 13 de Junho de 2008
Apelo a ti!
Deixo um apelo à inspiração que acaba por me atraiçoar varias vezes quando dela mais preciso. Melhores dias hão-de chegar. E nesses dias a inspiração vai-me bater à porta… e não vai ser pouco.
Mas a vida é mesmo assim… aquilo que mais queremos é aquilo pelo qual temos mais de lutar…
Hoje estou sem inspiração nenhuma… ela não me veio bater à porta… nem sequer um pequeno toque na janela para eu saber que ela está presente.
Com tantos tópicos para escrever não me vem nada a cabeça…
Podia escrever sobre a sociedade. Mas este tópico já esta tão batido… podia escrever sobre o amor, mas não tenho muito jeito para isso.
Queria escrever sobre algo original…algo que ninguém antes tenha escrito. Algo único. Algo fantástico. Algo que fizesse os meus leitores chorar, rir, pensar… algo que os levasse a reagir. Algo que os leva-se a exprimer-se. Uma expressão única. Era isso que queria. Uma escrita linda em que nela estivesse presente um pouco da vida de todos. Algo em que o leitor se identificasse. Queria escrever algo que tocasse um pouco em casa pessoa que lê-se este texto. Mas simplesmente não consigo… a mente esta vazia e o coração despedaçado. E a inspiração não chega. Nem me toca de leve.
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Domingo, 8 de Junho de 2008
A semente de minha mãe.

-O que é?
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Domingo, 1 de Junho de 2008
Para sempre anónimo...

Desde o primeiro dia em que ti vi… desde o primeiro momento em que pus os meus olhos em ti que posso dizer que te amo.
Tudo começou num dia de verão. Era o primeiro dia de aulas e tu entraste atrasada na aula. Trazias um top cor-de-rosa e umas jeans e o teu longo cabelo loiro solto. Pediste desculpa ao professor e procuraste um lugar para te sentares. Sorte a minha que era o único com uma cadeira livre. Sorriste para mim e perguntas-te se te podias sentar. Eu fiquei especado a olhar para ti. Sem reacção. Sem expressão. Tu continuavas a sorrir à espera de uma resposta. Lá consegui raciocinar e dizer-te que sim, que te podias sentar ao meu lado.
E foi assim que se passaram os anos lectivos. Perguntavas se a cadeira estava ocupada, sentavas-te e tomavas atenção à aula. Assim que tocava saías e nem me davas tempo para te dizer um adeus. Até logo.
A verdade é que eu também não te ia dizer nada por isso não guardo desdém de ti.
Os anos passaram-se. E chegou o dia do baile de finalistas. Andavas em pulgas. Não paravas quieta na cadeira. Não prestavas atenção à aula. Só sabias comentar com as tuas colegas de quem seria aquele postal que te deixaram no cacifo. Aquele postal que tu tanto gostaste. Aquele postal que pensavas ter sido o Gonçalo a escreve-to. Aquele postal que nunca ninguém te disse de quem era. Pois agora em digo-te: aquile postal que tu tanto gostavas e pelo qual não prestavas atenção à aula era meu. Ganhei coragem e convidei-te ainda que anónimo. Para variar…
Chegou o dia do baile e lá estavas tu. Na porta do pavilhão à espera de quem te tinha escrito o postal. A minha espera. Não tive coragem. Voltei para dentro. E esperei que entrasses.
Quando entraste no baile tinhas companheiro. E por isso mantive a distância na esperança que ele te magoasse. Não para te ver a sofrer, mas para poder ir ter contigo para te consolar. Para poder falar contigo. Para poder estar contigo. Mas ele não te magou. E eu não fui necessário para te consolar.
O tempo passou e eu casei-me. Sou feliz com a minha mulher. Tenho duas filhas e vem a caminho mais um rapazola.
No outro dia vi-te no supermercado. Para variar fiquei sem expressão quando te vi. Estavas com o cabelo solto novamente. Perguntaste-me se sabia onde era a secção dos produtos de banho. Eu embasbaquei e disse que não sabia.
Não me reconheceste. Eu não me ‘re-apresentei’. Mas fiquei com remorsos de não o ter feito.
Por isso segui-te até casa. E foi aí que me tocou.
Agora casaste-te. És feliz. O teu marido parece ser bom para ti. Tens uma filha linda. E finalmente ganhei expressão na minha cara. Sorri. Fiquei essencialmente feliz. Tu olhas-te para mim e reconheceste-me. Não sei se do supermercado se o teu colega de carteira. Não importa. Sorriste-me e eu sorri-te de volta.
Desejo-te tudo de bom. Espero que continues muito feliz e que continues a usar o cabelo solto, porque te fica muito bem.
Para sempre anónimo…
Para sempre teu…
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Domingo, 25 de Maio de 2008
Elogio a nação!

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Um Novo dia Começou

Olha lá para fora e os pássaros já cantam.
Cambaleias para o banho enquanto que eles gritam. Mais uma noite de gritos. Mais uma noite de terror. Mais uma noite que não dormiste. Mas mesmo assim sorris.
Sorris porque pensas que não mereces isto. Sorris porque pensas que não és tu que causas isto.
Mas quando te olhas ao espelho esse pensamento vai-se e no seu lugar fica um sentimento de culpa, que te enche por dentro e que te corrói o coração.
Sentes-te culpada porque sabes que eles discutem principalmente por tua causa. Que é por tua causa que eles gritam enquanto cambaleias para o banho. Que é por tua causa que eles gritam durante a noite. Que é por tua causa que as noites são de terror. Que é por tua causa que não dormes. É tudo por tua causa.
Por isso afastas a cara do espelho. Daquele reflexo horrível que vês todas as manhãs. Porque sabes que a culpa é tua. E por isso sorris. Para afastar a culpa.
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Quinta-feira, 22 de Maio de 2008
Porque te amo
Nada fazes para me ter… nada fazes para eu te amar… apenas um pequeno e insignificante zumbido no qual eu imagino ouvir o meu nome. Imagino e sei que tenho de o imaginar porque na vida real nunca o vais dizer… eu sei, mas mesmo assim eu continuo a ir ter contigo. Porque te amo. Muito.
Mas agora eu digo: Basta!
Estou farta, cansada de correr para ti… exausta de te procurar no teu ovo, no teu mundo em que não deixas entrar ninguém, em que fechas a porta a sete chaves… devastada, sabes? E por isso digo que já chega. Porque te amo.
Amo-te porque te digo a verdade.
Amo-te porque te deixo sozinho no teu ovo. Só te peço que penses no que te digo nesta carta porque o trabalho que tive para me exprimir foi imenso. Mas já o fiz. Agora é a tua vez.
Amo-te. Muito. Mas já não nesse sentido.
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